Na Noite Escura - Bruno Munari
Bruno Munari (1907-1998) foi uma das mais importantes referências do design de livros para crianças. A comunicação visual que explorava é notória neste livro que se tornou o mais reconhecido do autor italiano, para crianças. Dividido em três partes – a noite escura, o prado e a gruta – são os recursos plásticos e os pormenores gráficos que as distinguem. Inversamente, através do parco texto tece-se uma associação. Na noite escura (com páginas negras), as personagens procuram descobrir de onde vem uma luz que brilha longe e que se destaca através de um recorte circular nas páginas, com um fundo amarelo. Essa luz desvenda-se no papel vegetal que se segue e inaugura a segunda parte: é um pirilampo que vai dormir porque está a amanhecer. O tempo passa, portanto. Já o prado, com os seus arbustos e insectos, percorre-se entre o que se vê claramente em primeiro plano e os contornos e manchas que se vislumbram por trás. Então, uma formiga convida a entrar na gruta. O papel (reciclado) é agora mais rugoso e cinzento como a pedra, e os recortes irregulares nas páginas conferem profundidade ao espaço. Depois de percorrer uma história visual (inscrita na rocha) da pré-história, a formiga retorna ao exterior, novamente de noite, onde a esperam diversas luzes de pirilampos. É uma estrutura circular, com um pendor narrativo muito incipiente, em que a comunicação se faz pelos detalhes da imagem, quer na composição dos elementos desenhados nas páginas, quer pelos materiais escolhidos, quer ainda pelos efeitos criados pelos recortes. A Bruaá volta a superar as expectativas e a contribuir para suprir uma falha na edição de livros de recepção infantil em Portugal.
(publicado na edição de Junho da revista Os Meus Livros)
Amazing book. Novo, custa R$ 69,00. Sei porque fui atrás, queria ter um pra mim. Vou ter que esperar, que esperança.
O Luis Fernando Veríssimo tem um jeito moleque e triste, e a habilidade de escrever cada coisa... na introdução desse livro, a Ana Maria Machado nos fala sobre o ofício de escrever, e do duro que se dá para se escrever algo como o Veríssimo. Ele é engraçado, perspicaz, e pode ser mordaz, mas nunca é arrogante. Ou presunçoso. Peguei para tentar usar alguns dos textos com o J, que precisa ser mais exposto ao português.


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